Vídeogame como entretenimento famíliar?

16 08 2010

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Hoje recebi de um amigo de escritório um link em que o presidente da Nintendo, senhor Satoru Iwata, dizia que “a Nintendo deve encorajar as pessoas de todas as partes do mundo, com diferentes idades, línguas, gêneros e culturas para utilizar os videogames como um entretenimento como outro qualquer”.

E continuava: “Se analisarmos o quanto os videogames ganharam de aceitação na sociedade nos últimos anos, perceberemos o quanto ainda precisamos progredir neste aspecto. É claro, devemos produzir jogos e produtos ainda mais atraentes para manter os usuários empolgados e aumentar nossa audiência ao mesmo nível alcançado por outras formas de cultura, como o cinema e a televisão”. (É claro que, embora tenha um tom panfletário, creio que o interesse do Sr. Iwata seja totalmente financeiro, mas isso é assunto pra outra hora…)

Foi aí que parei para analisar o vídeogame e o que ele representa hoje para a sociedade, mas a partir das minhas experiências com ele.

Jogo vídeogame desde os 7 anos de idade. Lembro que meu pai comprou o meu Atari 2600 no meu anivesário em 1986. Além de jogar o meu vídeogame com aqueles cartuchos de 8 jogos em 1, também me divertia na casa dos amigos com o Odissey, da Philips.

O tempo passou. Vieram consoles de 8 bits, 16, 32, 64. A mídia era cartucho, virou CD, voltou pro cartunho, foi pro DVD e pro Blu-Ray. Os jogos passaram de algumas milhares cores para uma composição invejável de cores e com uma resolução de fazer frente a qualquer filme hollywoodiano. Além disso, antes tínhamos um gênero de jogo: palitinhos que se degladiavam/jogavam/corriam (e de vez em quando tentavam fazer sexo, como no “crássico” x-man para Atari), mas hoje temos diversos gêneros, desde infantil até aventura, passando por jogos adultos (em todos os sentidos) e outros bichos mais.

Durante todos esses anos, embora goste de vídeogames, nunca dei tanta atenção para eles depois que as coisas começaram a evoluir. Acompanhei de perto até os consoles de 16 bits. Depois disso. Não tinha tanta habilidade com os dedos, os “combos” me tiravam do sério, e ter que passar tanto tempo na frente de uma tela sempre me deixou meio chateado. Distanciei-me bastante dos jogos eletrônicos até este ano, quando comprei um Wii.

Com o Wii, redescobri o vídeogame para jogadores casuais, pois até então, o vídeogame era coisa de hardplayer, de gente que entende muito, e tem uma habilidade com os dedos tão grande que deixaria um batedor de carteiras italiano acanhado. Através do console da Nintendo, vi que o vídeogame estava, aos poucos, alcançando o status que sempre quis, se não durante toda a sua vida, pelo menos no início, de ser um sistema de entretenimento para toda a família.

Contudo, mesmo com toda a facilidade e elementos intuitivos, e de interação, que vem ganhando nos últimos anos, o vídeogame está anos-luz de distância de ser o que hoje é o cinema e, principalmente, a televisão.

E isso não é culpa do vídeogame. A culpa (se é que se pode chamar de culpa) é do consumidor de entretenimento. A TV é o que é hoje não porque é interativa, porque oferece mil e uma opções de configuração e uso. A televisão se consolidou entre nós, na minha opinião, porque oferece completamente o oposto do que propõem os vídeogames e e outros meios de entretenimento: a não-necessidade de interatividade para que se possa absorver seu conteúdo, a quase totalidade de inércia.

E é por isso que acredito que a TV ainda continuará reinando entre nos por muito tempo. Depois de um dia cheio de trabalho, em ônibus lotado, passando os perrengues da vida, o pai de família, na maioria das vezes, não quer matar monstros, desvendar mistérios, lutar batalhas ou assaltar velhinhas indefesas. Ele simplesmente quer sentar na poltrona e absorver um conteúdo sem o mínimo de esforço.

Acredito até que o vídeogame se torne (e já tem se tornado) um meio de entretenimento como são os jogos de tabuleiro, as diversões programadas em família, os jogos nas praças, parques e quadras, em que se separa um tempo para se divertir, para interagir, para cumprir objetivos. Para ter o status que hoje têm TV e rádio (e o cinema até certo ponto), o vídeogame tem que fazer o caminho inverso: deixar de ser fisicamente interativo e oferecer conteúdos em que não seja necessário o esforço do expectador.

Será que é isto que os defensores do vídeogame querem?

E você, o que acha? Será que os jogos eletrônicos estão em vias de superar (ou pelo menos se igualar) a TV no que diz respeito à preferência popular? Ou você concorda comigo que o lugar do vídeogame é outro, nem melhor nem pior que o da TV, cinema e outros meios de entretenimento, mas simplesmente diferente?

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